Qual risco bordar?

Qual risco bordar?

fevereiro 10, 2021

Das boas lembranças de infância que tenho uma dela é a cômoda azul cheia de riscos antigos.

Minha mãe bordadeira colecionou a vida inteira riscos para bordar. Copiava os desenhos das revistas francesas, italianas e ainda de livros e coleções especiais com belíssimos bordados. Foleava tais revistas e livros com tamanha curiosidade! Buscava incentivo para bordar a beleza e a diversidade no que via e vivenciava.

Bordou as holandezinhas e os moinhos, bordou as papoulas, as lanternas chinesas, as flores das cerejeiras do Japão, as flores do México, tantas outras flores imaginárias, árvores preferidas, pássaros e borboletas. Bordou gente, bichos e, sobretudo, bordou a alegria vivida, rodeada de filhos e da natureza que tanto aprecia.

Mamãe queria bordar o mundo! Bordou, riscou, reinventou e rebordou vida afora!

Sempre que me perguntam onde busco inspiração para fazer meus riscos a serem bordados, lembro me cômoda azul, da troca dos riscos que mamãe fazia com as amigas também bordadeiras e das revistas lindas e dos livros encantadores sobre bordados universais.

Tem um vasto e belo material disponível para bordar. Basta pesquisar, estudar, ir além dos riscos antigos achados na gaveta.

O mais legal disso tudo é planejar, escolher os temas, rever os significados e fazer seu próprio risco. É essa autoria que nos proporciona a elaborar riscos com a referência das memórias afetivas.

É essa autoria criativa que nos dá força e encantamento. É ela que é nos impulsiona a registrar o vivido, nossas lembranças e nossos desejos futuros com tecidos, agulhas e linhas.

Hoje, nós do Matizes Dumont não trabalhamos com as cópias de riscos. Acreditamos nas artes visuais como forte expressão criativa. Temos o privilégio de contarmos com a criação do Demóstenes Vargas, nosso irmão, artista plástico que elabora os riscos para bordarmos. Ele cria os desenhos e nos deixa com total liberdade  para bordarmos, acrescentarmos ao risco a nossa criatividade própria.

Martha Dumont, também risca e rabisca não só para nós do Matizes Dumont e do ICAD, nosso instituto cultural sediado em Minas, mas para bordadeiras e bordadeiros de todo o Brasil que borda seus meninos e meninas, seus bichinhos esquisitos e suas travessuras!

 

São momentos diversos para fazer a escolha do risco, do tema ou motivo. São situações onde a inventividade aparece e contribui para a peculiaridade do bordado.

Experimente você também a fazer o exercício da elaboração própria e criativa. Risque e rabisque suas memórias! Borde a sua resistência, a sua alegria, a sua resiliência, o seu mundo e o mundo que a rodeia.

 



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