Pano bordado feito à mão

Pano de Amostra - Pontos para Relembrar

Junho 14, 2018

 

Pano bordado feito à mão

Desde sempre homens e mulheres gostam de guardar lembranças! Nós bordadeiras temos nossas recordações dos pontos aprendidos registrados num paninho especial – O pano de amostra!

O meu pano de amostra é o registro dos pontos que minha mãe me ensinou. É bem lindo! Tem florais, casinhas, bichinhos, árvores diversas, crianças brincando e um bocado de buquês especiais, tudo bordado em um tecido de linho, na cor pérola.

 

Pano bordado feito à mão

Detalhes do Pano de Amostrar de Antônia Zulma Diniz Dumont

 

Parafraseando a artística plástica Fayga Ostrower a quem admiramos muito, ressaltamos: ... “Arte não se ensina, é impossível ensinar. Assim como não se ensina ninguém a ser criativo, a ser artista. Isso é impossível”. O que podemos fazer enquanto educadores é estimular as pessoas a se conectar com a sua sensibilidade. 

Pano bordado feito à mão

O processo criativo é seu! Você tem que encontrar a sua inventividade dentro de si mesmo, no mundo que seu olhar sensível alcança e guarda.

Uma maneira de registrar tudo isso e um pouco mais é fazer seu próprio pano de amostra com bordados.

O que é preciso para desenvolver o seu pano de Amostra:

  • Ter boas lembranças de infância guardadas, ter o desejo de registrá-las e, sobretudo, vontade de contar um pedacinho da sua história de vida;
  • Escolher um tecido especial, linho ou cambraia de linho, numa cor firme, pérola ou branca. Ao eleger o tecido pense nele como algo que vai integrar a sua criação e que complemente o sentido que você quer dar ao seu bordado;
  • Selecionar desenhos de símbolos e objetos que representem sua história. Os motivos ou riscos serão o ponto de partida para ariscar-se no bordado. Esse é um bonito desafio! Um motivo ou movimento para descobrir, reinventar e criar algo novo;
  • As linhas são escolhas do coração que vão ser importantes para que os seus motivos idealizados possam ter brilho, intensidade, cor, movimento, tonalidade firme e texturas. Elas devem estar em sintonia, em equilíbrio, e assim como o tecido devem ser macias e permitir a agulha passar com suavidade;
  • Em referência aos pontos do pano de amostra devem ser baseados no bordado clássico, com diferentes origens, e hoje reinventados, com outro ritmo: ponto atrás ou haste, ponto matiz, ponto rococó, ponto areia, ponto folha, escama de peixe, palestrina, ponto caseado, ponto corrente, ponto cheio, ponto folha, nó francês ou carocinho, alinhavos, pespontos dentre outros fáceis de achar nos livros que ensinam a bordar ou pela internet nas tutorias do bordado; 

    Nessa bordação espontânea novos pontos vão surgindo e recebendo o nome da bordadeira que os borda,  inventa e reinventa. Pontos que cada uma de nós borda no seu tecido vida: ponto de ontem, ponto ainda, ponto adiante, ponto enigmático (que você nem sabe como ele surgiu), ponto de descobertas, ponto de cuia, ponto solto, ponto livre, ponto cura, pontos de Ser. Não há ponto errado ou certo. Há o ponto belo e o não tão belo. Esse último, deve ser refeito, claro, se você quiser;

  • O que fazer com o avesso? Retire essa preocupação. O avesso é tão bonito como o direito. Basta você lembrar das suas próprias experiência na vida;
  • Sobre luz e sombra, claro e escuro você deve levar em conta com os quais elementos você quer brincar no seu bordado. Costumo olhar muito para a natureza, e como diz Ângela Dumont, ela é a “grande professora nossa”;

Atenção: o pano de amostra não fica pronto nunca, pois a cada momento, temos um ponto e ou um pesponto novo a acrescentar...

Faça bonito! Elabore um pano de amostra que mostre você inteira e inventiva!

E, para finalizar, ressaltamos que é por acreditar que a formação humana é como um bordado, nós, bordadeiras do Grupo Matizes Dumont incentivamos a cada pessoa que encontramos a ser inventiva, observadora e com isso cada dia mais também renovamos nosso compromisso de ser criativo e espontâneo!

Realizamos oficinas de bordado por todo o Brasil seguindo a metodologia (A) Bordar o Ser. São espaços de convivência onde as relações são tecidas entre a beleza e a falta dela, entre o cuidado e o amor pela natureza, entre o sagrado e o humano.

Se você tiver curiosidade e interesse, venha encontrar-se conosco para um tempinho a ser bordado.

Grande abraço!